As histórias de um motociclista nas estradas do Brasil

O motociclista rodando todo o Brasil. Conheça um pouco da história do Fernando Del Debbio

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Sumário

aumentar tamanho de macacão de motociclista

Viajando de moto por todo o Brasil

O primeiro capítulo do livro do Fernando Moreno Del Debbio disponibilizado pela Amazon 

“Para você que está aí, entediado, vendo o tempo escoar pelos vãos dos dedos, morrendo de saudades do tempo em que podia viajar por aí, vou disponibilizar o primeiro capítulo do meu livro, “Estradas e histórias” para que possa dar um rolê inicial comigo, de São Paulo até Goiás”.

Se gostar, abaixo do texto segue o link para compra pela Amazon, com frete grátis.

Então, senta que lá vem história!!!!!

ENFIM, PÉ NA ESTRADA.

— Você tá doido? Viajar de moto para o Norte e Nordeste?
— Mas e a dengue? Os assaltos?
— Como assim? Não vai mais ninguém com você? E se a moto quebrar?
— Vão roubar sua moto e seu celular. Isso se ela não ficar destruída na primeira cratera encontrada pelo caminho.

— As estradas são péssimas por lá.
Era isso que ouvia durante os meses anteriores à viagem.
E, um ou dois dias antes da partida, ainda havia quem tentasse me demover da ideia.
— Deixa pro ano que vem e vou com você — disse o Marcão com apreensão na antevéspera da partida.

E, apesar de tantas advertências, teimoso que sou, ali estava, sozinho em 15 de dezembro de 2016, dia nascido há pouco, de pé ao lado da motocicleta vendo a fumaça do cigarro se espalhar pelo ar frio, no estacionamento de um posto de gasolina no começo da rodovia dos Bandeirantes, a 30 quilômetros de São Paulo, sentido Norte, inseguro para dar início à minha expedição pelo Centro-Oeste, Norte e Nordeste deste Brasil.

Já havia planejado esta mesma viagem no ano anterior, mas a abortara por medo do desconhecido, dos riscos que muitos me contavam haver e até da dengue, zika e chikungunya. Esta última, uma epidemia nova se proliferando pelo Norte e Nordeste, de nome estranho, cujas consequências, sintomas e tratamentos ainda não eram muito conhecidos na época.

Aliás, neste ano convidei diversos amigos para me acompanharem nessa aventura e, um a um, todos recusaram alegando problemas na agenda, mas na verdade podia perceber que o verdadeiro motivo da recusa de alguns era o temor relativo aos riscos envolvidos na expedição.
E não os repreendo…

As previsões iniciais eram de encontrar estradas em estado de calamidade, isso sem falar nos alarmantes riscos que poderiam ser enfrentados pelo caminho e pelas cidades a serem atravessadas.
Cansei de ouvir alertas sobre os perigos de assaltos e de ser envolvido em graves acidentes decorrentes das péssimas condições das estradas, ou causados pelos motoristas imprudentes e caminhoneiros dormindo ao volante.

Planejando a viagem

Ajustes em trajes de motociclistas em Sp

Fora isso, o fato de passar as festas de Natal e Ano Novo na estrada também desmotivava muitos, afinal, a maioria tem o hábito de comemorar essas datas em família.
O planejamento não foi longo. Gastei uns 60 dias nisso e não foi por falta de responsabilidade ou cuidados quanto à viagem, mas sim porque usei alguns conhecimentos acumulados em tantas outras incursões que havia feito anteriormente para diversos lugares.

Comprei mapas, pesquisei as condições das estradas no site do DNIT, consultei por aplicativos de reservas a disponibilidade de hotéis pelo caminho e conversei com amigos que viajaram por alguns trechos a serem percorridos. Até sonhei com o planejamento, acordando sobressaltado algumas noites em decorrência da insegurança e da ansiedade causada por tais preparativos.

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Não encontrei muitas informações. Procurei no Google, em revistas especializadas e no Youtube viagens semelhantes, sem muito sucesso e concluí que quase ninguém havia realizado aquela aparente loucura.

Quando muito, li relatos de alguns pilotos residentes mais ao Norte do país que faziam pequenas viagens por suas próprias regiões. Nada muito animador e esclarecedor, pelo contrário, tudo me trazia mais insegurança. Talvez este livro, além de contar minhas histórias de motociclista pelas estradas , sirva para auxiliar quem pretende realizar iguais aventuras e encontre as mesmas dificuldades. Talvez, uma ajuda para puxar o fio da meada ou até motivos para se animar.

Todavia, mesmo assim, decidi empreender a viagem. O desconhecido era o grande combustível que me movia. A sensação de realizar algo feito por tão poucos me trazia grande motivação para encarar este projeto.
Minha filha, Carolina, uma das poucas pessoas que, junto com Analice, minha namorada havia sete anos, me incentivavam incondicionalmente a empreender a viagem, a despeito de todos os riscos e diante de minhas dúvidas sobre ir ou não, disse:

— Pai, você adora viajar de moto. Você é cuidadoso. Vai, sim! Vá enquanto ainda pode.

retirar cupim de macacão de motociclista

O Otaviano Renzo, amigo de longa data, desde os tempos do CPOR, um irmão para mim e também motociclista, depois de mostrar para ele e para o Mário, seu irmão, meu itinerário em um mapa bem grande, fixado na parede de uma sala onde fazíamos uma reunião de trabalho, falou, com seu jeito conciliador, mas demonstrando preocupação:

— Nem adianta tentar te demover desta ideia, te conheço. Vai, mas toma cuidado, maninho. Se pudesse, até iria contigo, mas já estou com uma viagem marcada para Nova York nesta época.

As viagens para o Sudeste e Sul do Brasil e da América já estavam se tornando monótonas para mim, sempre planejadas por questões de segurança e previsibilidade. Também por isso havia decidido mudar, buscar novos destinos. E inéditos como aqueles não havia.
E lá estava eu, olhando para a estrada movimentada, com o coração cheio de incertezas, mas também, de coragem e alegria e a Lady Sybil — minha moto Triumph Explorer, modelo XCa, 2017 — já com seu baú traseiro todo colorido pelos adesivos com as bandeirinhas dos lugares já visitados até então e a percorrer a partir daquele dia.

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Triumph Explorer, modelo XCa, 2017

Havia comprado Lady Sybil uns três meses antes da expedição. Uma moto grande, potente, confortável, totalmente apropriada para longas viagens, que encara qualquer parada: terra ou asfalto, estradas boas ou ruins, longos trajetos ou pequenos rolês pela cidade.

É classificada como big trail. Motocicletas projetadas para se ganhar o mundo. Uma moto robusta que, quando carregada com todas as tralhas em seus três baús cheinhos e todos acessórios instalados, ultrapassa os 350 quilos, mas, quando em movimento, parece uma leve bicicleta.

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Namorei esta moto uns bons meses antes de adotá-la. Fiz tantos testes-ride lá na concessionária Triple, da Triumph, que, quando dava uma passadinha na loja, o vendedor Sandro já vinha me encontrar com a chave da moto de testes na mão e um sorriso no rosto, dizendo:

— E aí? Quer testar a moto de novo? — falava sempre com a aprovação do Ronaldo, seu gerente.

A moto perfeita para uma expedição desta envergadura que, no último capítulo, para os leitores interessados em detalhes técnicos, descreverei com mais pormenores.
Uma verdadeira integrante da nobreza inglesa, cujo nome de batismo foi inspirado em uma personagem de uma série do Netflix: Downton Abbey.
Lady Sybil era uma jovem de uma família nobre, uma aristocrata do interior da Inglaterra, muito bonita, de cútis clara, dócil, mas com bastante garra, força e personalidade, exatamente como esta minha companheira de viagem, por quem me apaixonei à primeira vista e que conquistou tantos admiradores pelo caminho.

Assim, chegar ali, todo paramentado, na companhia da Lady Sybil, preparado para empreender esta nova viagem, já era para mim um ato de superação. Poderia até desistir no meio do caminho, mas tivera a coragem de partir e isso, por si só, já era motivo de orgulho.

Naquele friozinho da manhã da partida e com o Sol dando as caras ainda timidamente entre nuvens, olhava fixamente para aquelas bandeirinhas multicoloridas e para a moto, ainda sem acreditar que, de fato, tivera a audácia de me aventurar por caminhos desconhecidos e supostamente inóspitos.

Lá se fora minha última noite de insônia, naquele rolar de um lado para outro da cama, fruto da ansiedade causadora de uma grande dificuldade para conciliar o sono, como sempre ocorre comigo antes de qualquer viagem, desde criança.

Minha primeira viagem tão longa, arriscada e solitária de moto, por um Brasil ainda desconhecido para mim. Uma aventura que já começava, ali mesmo, logo no início, a causar frisson entre os motociclistas. Um deles, trajando um colete preto com listras refletivas verde-limão, vestindo um capacete barato preto-fosco, todo surrado e calçando velhas galochas pretas com solado amarelo, que estava no mesmo posto de gasolina arrumando uns pacotes no baú traseiro de uma moto vermelha de baixa cilindrada, bem malcuidada, perguntou:

— Pra onde tá indo, parceiro?
— Belém, no Pará.
— Caraca! Mas tá indo sozinho? Isso é longe demais, meu — exclamou mesmo sem ouvir todo o roteiro.

Pois é. Nem sequer de avião havia ido à maioria daqueles lugares que me propus conhecer a bordo de uma moto.

A primeira etapa da viagem me levaria até Belém, passando pelo interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e Pará. Em uma segunda fase percorreria todos estados do Nordeste, para reentrar no Sudeste pelo Espírito Santo, passar pelo Rio de Janeiro e voltar para casa.
Seguiria naquele período inicial sozinho, sem companhia de amigos, sem garupa e sem carro de apoio. Apenas eu, a valente representante da nobreza inglesa e os riscos desconhecidos.

Somente em São Luís, no Maranhão, no início da segunda parte, encontraria a Analice que a partir de então iria comigo na garupa. Ela me encontraria lá, de avião, nos primeiros dias de janeiro.

No total, seriam mais de 11 mil quilômetros de pura aventura e emoção, como que realizando um salto de um trapézio para outro, sem redes de proteção.
Uma falha mecânica, eletrônica ou um tombo mais grave e precisaria abortar a viagem, colocando a moto no guincho e voltando nele para casa. Seria uma humilhação para mim e, por que não dizer, para Lady Sybil e, quem sabe, até para a família real britânica se a notícia vazasse naqueles tabloides sensacionalistas ingleses.

Uma loucura? Pode ser, mas só com uma pitada de falta de juízo se consegue ser feliz.
Cruzei a porta de vidro com abertura automática do restaurante do posto, retirei a comanda de plástico da catraca e caminhei por entre as mesas vazias até o balcão, me dirigindo à atendente, uma jovem loira, uniformizada, alta, de olhos azuis e com um cantado sotaque catarinense:

— Bom dia. Por favor. Um café expresso grande, um pão na chapa e um Red Bull.
— Açúcar ou adoçante?
— Adoçante. Dois envelopes, obrigado.

Recebi os sachês, adocei o café, mexendo-o lentamente e o sorvi, gole a gole, pensativo, tomando coragem para sair dali e dar a primeira acelerada.
Então, voltei ao estacionamento, de café da manhã tomado, já com a moto abastecida, carregada e com pneus calibrados, coloquei uma garrafinha de água mineral com gás no baú traseiro e, cheio de expectativas, ali dava início àquela viagem que, a despeito de todos imprevistos e riscos enfrentados, viria a ser a melhor de toda minha vida até o momento e me faria repetir quando me recordasse dela:

— Eu era feliz e sabia…

Aí, comentei baixinho com minha companheira, que já compreendia muito bem o idioma português, afagando carinhosamente a lateral de seu tanque branquinho contendo um adesivo indicando as suas exuberantes 1.215 cilindradas.
— Agora somos apenas nós dois, Lady Sybil! Vamos aí?

Sentei na moto, segurei firme o guidão, tirei-a do pezinho lateral, colocando-a na posição vertical e escorando-a com meus dois pés apoiados firmemente no chão de paralelepípedos. Zerei os dois odômetros parciais, dei partida escutando aquele rugir assobiado que vinha de seu escapamento, fechei a viseira do capacete já afivelado e me lancei na rodovia, ultrapassando apressadamente carros e caminhões, rumo à minha jornada.

E aí, o que você achou desse primeiro capítulo do Livro?  Imagine então o restante dele.

Segue mais uma palhinha pra você se deliciar

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