Introdução ao Empreendedorismo

Os empreendedores são admirados e às vezes invejados. São responsáveis pelo lançamento de produtos e serviços revolucionários, pela criação de empresas seculares e pela geração de empregos. Mas o que é empreendedorismo? O que é ser empreendedor?  Podemos dizer que o empreendedorismo é o motor da economia e ao longo da história foi responsável por grandes mudanças. E o que o empreendedor tem de diferente das outras pessoas? Ele nasce pronto, sendo algo somente para predestinados ou qualquer um pode ser empreendedor? Como ele afeta a economia?

Muitas pessoas têm medo de empreender. Será que realmente é difícil ser empreendedor? Quais são os fatores que influenciam o empreendedorismo?

 

Quem é o empreendedor?

Imagine que você está participando de um evento – uma festa, um jantar ou um congresso – com a oportunidade de conhecer e conversar com pessoas diversas. E durante aquela conversa básica, que geralmente inclui a pergunta “o que você faz?”, o seu interlocutor responde: “Eu sou empreendedor.”

Qual a primeira imagem que vêm na sua cabeça? Seria a de um empresário bem-sucedido, que começou o seu negócio do zero e hoje é dono de uma fortuna? Ou daqueles vendedores de pipoca que ficam na porta de escolas? Seria um funcionário dedicado de uma empresa ou de um gerente desta mesma empresa? Será que você imaginaria que ele é um funcionário público ou o voluntário de uma ONG?

A maioria das pessoas associa a imagem do empreendedor com a do empresário, como sendo uma pessoa que cria novos negócios, mas a grande verdade é que qualquer uma das pessoas descritas no parágrafo anterior, desde o vendedor de pipoca, passando pelo funcionário de uma empresa e o servidor público, podem sim ser empreendedores. Sendo assim, vamos conhecer os pontos principais que definem um empreendedor.

 

O papel do empreendedor

Numa visão mais ampla, o empreendedor é a pessoa que identifica oportunidades, as explora e as desenvolve, seja na criação de um negócio, na construção de uma carreira como empregado ou até mesmo em outras áreas ou outros aspectos da vida

Você Sabia ?

Marco Polo (1254-1341) pode ser considerado um dos primeiros exemplos de empreendedor. Ele vislumbrou uma oportunidade de comercializar as mercadorias orientais, em especial da China, em Veneza, sendo um dos primeiros a percorrer a Rota da Seda. Ele correu grandes riscos, mas virou uma referência para os grandes comerciantes da época (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

 

Outra imagem muita associada ao empreendedor é de que algumas pessoas nascem para serem empreendedores. Mas ao contrário do que se pensa, as habilidades, comportamentos e características do empreendedor podem ser aprendidas e desenvolvidas, por qualquer pessoa que assim desejar.

 

O empreendedor tem um papel crucial no desenvolvimento da economia e da sociedade como um todo. Aqueles que abrem seu próprio negócio geram empregos e melhoram a distribuição de renda, já os empreendedores que são funcionários, são responsáveis por auxiliar as empresas ou o governo a atingirem seus objetivos. Os empreendedores fazem a história e mudam o mundo em redor deles com as suas ações, criam modelos de negócios novos e inovadores, como, por exemplo, o Google.

Ao longo da história, os empreendedores sempre existiram e foram destaques na sociedade, acumulando grandes fortunas e atraindo a atenção das pessoas. Porém, recentemente, cada vez mais pessoas estão buscando a opção pelo empreendedorismo. E qual será o motivo dessa procura? Alguns fatores parecem estar diretamente relacionados com isso, como nos apontam Baron e Shane (2007):

  • grande destaque na mídia de empreendedores de sucesso com uma imagem bastante positiva e atraente, fazendo com que estes empreenderes assumam um papel de herói (ou heroína) numa época que existem poucas figuras de destaque, ao contrário do que foi no passado;
  • mudança no entendimento entre patrões e empregados com relação ao vínculo trabalhista. Antes, ser um funcionário que desempenhasse bem sua função garantia uma estabilidade empregatícia. Hoje com as crises econômicas e os cortes e reestruturações nas empresas, os empregados são menos fieis aos seus empregos e passam a questionar se não estariam melhores trabalhando por conta própria;
  • a segurança de um emprego, com o salário garantido na conta, deixou de ser um valor importante, especialmente para os mais jovens. Muitos passam a preferir um estilo de vida mais independente em detrimento da segurança o emprego.

Mesmo com a crise econômica iniciada em 2014, empreender é o desejo de muitos brasileiros. Em uma pesquisa recente sobre empreendedorismo no Brasil, 36% dos entrevistados são donos de seu próprio negócio ou realizaram alguma ação em vistas de ter seu próprio negócio no último ano. Ter um negócio está em quarto lugar entre os sonhos dos brasileiros, atrás de viajar pelo Brasil, ter uma casa própria ou um carro (GEM, 2017).

Um conjunto de programas e ações estruturais tem colaborado para a difusão do espírito do empreendedorismo no Brasil. Esse processo tem início em 1994 com a estabilização econômica com o Plano Real, passando pelo lançamento do Programa Brasil Empreendedor em 1999, pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa de 2006 e a criação do Micro Empreendedor Individual (MEI) em 2008 (DORNELAS, 2017).

Destaca-se também a participação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) na promoção da educação empreendedora e na capacitação e orientação para os pequenos e microempresários por todo país.

Mesmo com todo este suporte, a vida do empreendedor no Brasil não é fácil. Os principais fatores limitantes estão relacionados com a burocracia, a carga tributária e a infraestrutura. A mortalidade das empresas nos dois primeiros anos de vida é elevada, mas tem melhorado nos últimos anos. Esses aspectos resultam na observação que o medo de fracassar é o mais impactante para decidir empreender (GEM, 2016).

Melhorar o cenário do empreendedorismo no Brasil depende de uma evolução das políticas públicas do governo, mas também de um melhor entendimento do processo de empreender, dos fatores de sucesso, dos tipos de empreendedorismo, entre outros. E o primeiro passo é compreender o que é empreendedorismo, como vamos ver a seguir.

 

Conceituando Empreendedorismo

Podemos considerar que o ato de empreender é tão antigo quanto a civilização, por ser um fruto do trabalho humano, seja na busca de oportunidades de crescimento ou como uma alternativa de sobrevivência.  Contudo, a definição de empreendedorismo, e o seu entendimento, evoluiu e continua evoluindo ao longo do tempo (LAUREATE, 2013).  Para Filion, (1999, p. 18),  um dos principais estudiosos do tema empreendedorismo, “definir empreendedorismo é um desafio perpétuo, dada a ampla variedade de pontos de vista para estudar o fenômeno”.

Por isso, para entender melhor o conceito de empreendedorismo, é necessário estudar a sua origem e evolução.

 

Breve histórico do empreendedorismo

O primeiro registro de uso do termo “empreendedor” é atribuído ao economista de origem franco-irlandesa Richard Cantillon, em 1755, que definiu como sendo um indivíduo que assume riscos. Esta definição diferenciava o empreendedor do capitalista, aquele que fornecia o capital.

 

Fica a Dica:

A palavra empreendedor tem origem no francês “entrepreneur”, que por sua vez, deriva de duas palavras em latim: “inter”, que significa “reciprocidade” e “prehender”, que pode ser entendido como “pegar” ou “capturar” e também é associado ao vocábulo comprador. Podendo ser entendido com o “intermediário” de algo, ou se um negócio, como é o caso (DORNELAS, 2017; LAUREATE, 2013).

 

Nesse período, meados do século XVIII, a Inglaterra estava iniciando o processo da Revolução Industrial que acabou se alastrando pela Europa, surgindo os primeiros empreendedores segundo este conceito: pessoas que pegavam os recursos emprestados com os capitalistas para produzir algo novo. Antes disso, os empreendedores era basicamente os comerciantes, principalmente, aqueles que se aventuravam pelos mares em busca de novas rotas de comércio, como Cristóvão Colombo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

Já em 1814, outro economista francês, Jean-Baptiste Say (1767-1832) utilizou a palavra empreendedor se referindo ao indivíduo que transfere recursos de um setor cuja produtividade é baixa para outro de produtividade maior, sendo muito importante para o funcionamento do sistema econômico. Nesse sentido, o empreendedor era o intermediário entre as classes produtoras e entre estas e os clientes (MARIANO; MAYER, 2011). No ano de 1871, o economista austríaco Carl Menger (1840 – 1921) agregou à definição de empreendedor a ideia de que seria aquele que se antecipa às necessidades futuras (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

No final do século XIX e início do século XX, com a produção em massa e a linha de montagem, o termo empreendedor passou a ser associado com imaginação e inovação. O empreendedor percebe as oportunidades relacionadas à inovação e aliado com sua capacidade de realização, desenvolve novos produtos e serviços que são oferecidos para a sociedade (MARIANO; MAYER, 2011).

Saiba que esse período é marcado pelo surgimento de grandes empreendedores, que arriscaram tudo e conseguiram enriquecer e montar empresas que prosperam até os dias de hoje. O fundador da Ford Motor Company, Henry Ford (1863-1947), se destaca não só pelo sucesso da sua empresa, mas também por ser o expoente de uma nova produção em massa e da linha de montagem. Outro que se destacou mais por sua habilidade de inovação e criação de novos produtos foi Thomas Edison (1847–1931), fundador da Edison General Electric Company, que deu origem a General Electric Company (GE). Entre suas invenções se destacam: lâmpada elétrica incandescente, câmera cinematográfica, fonógrafo e bateria de (MARIANO; MAYER, 2011; MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

 

O capitalismo no início do século XX é então impulsionado pela inovação e progresso tecnológico resultado do trabalho dos empreendedores. Os principais economistas nesse período voltam a discutir o conceito de empreendedorismo Com isso são identificadas três teorias dinâmicas do empreendedorismo (RAE, 2007):

  • Kirzner (Escola Austríaca): O empreendedor reativo é um agente de ajuste na economia de mercado.
  • Schumpeter (Escola Alemã): O empreendedor inovador é uma agente das mudanças econômicas.
  • Leibenstein (Escola de Chicago): O empreendedor causa mudança incremental e gradual por meio da gestão da empresa.

Schumpeter é um dos principais autores da definição moderna do empreendedorismo, descrevendo o empreendedor como um inovador e não alguém que busca somente o lucro, que está engajado na destruição criativa rompendo o fluxo circular da economia de mercado baseada na produção e consumo, que tende a um equilíbrio de preços, por meio da introdução de novos produtos e processos que substituem os produtos e empresas existentes que se tornam marginais ou não competitivas. Para ele, o empreendedor é um líder que possui qualidades como intelecto, determinação, iniciativa, visão de futuro e, especialmente, intuição. Aqui vale destacar intuição como sendo a capacidade de ver coisas numa forma que depois de um tempo se provam verdadeiras, aprendendo no seu mundo natural e social de maneira que suas ações podem ser calculadas de forma simples e confiável (RAE, 2007; CHIAVENATO, 2012). Para Kirzner, o empreendedor é como um oportunista alerta, que está sempre atento a oportunidades de lucro no curto prazo que ocorrem devido a um desequilíbrio no mercado, onde as habilidades de velocidade do movimento e de tomada de decisão astuta são essenciais. A atividade do empreendedor envolve ações criativas de aprendizagem de descoberta e que o empreendedor supera outros no mercado, pois possui uma habilidade superior para perceber e agir nas oportunidades (RAE, 2007).

Já Druker considera que a introdução e aplicação da inovação é um aspecto vital do empreendedorismo. Segundo ele, o empreendedorismo está diretamente relacionado a assumir riscos, e o comportamento do empreendedor é de geralmente abrir mão de sua carreira e segurança em nome de uma ideia, investindo tempo e dinheiro em um futuro incerto (CHIAVENATO, 2012).

Na segunda metade do século XX, começaram os primeiros estudos apontando que poderia existir o empreendedorismo dentro de uma organização, que foi denominado de intraempreendedorismo. Este conceito passou a ter grande destaque principalmente devido ao papel que as atividades desenvolvidas nas organizações têm na sociedade. Percebeu-se que o empreendedor coorporativo tem características e habilidades similares ao empreendedor que cria um negócio (MARIANO; MAYER, 2011).

A partir da década de 1980, o estudo do empreendedorismo expandiu e espalhou para outras disciplinas, principalmente, na busca de outras formas de abordagem que incorporassem as rápidas mudanças tecnológicas à sua dinâmica. Tal interesse resultou numa série de instituições de ensino oferecendo cursos sobre o assunto (FILION, 1999).

Leite (2008) considera os anos 80 como a década do empreendedorismo, com a percepção pela sociedade da importância do empreendedor para o desenvolvimento das nações.

Com os avanços no campo da tecnologia da informação, a partir da década de 1990, aumentaram as possibilidades de criação de novos produtos e serviços, fazendo surgir uma grande quantidade de empresas de sucesso. Surge então um novo perfil de empreendedor, em que se destacam Bill Gates (1955-) fundador da Microsoft e Steve Jobs (1955-2011) da Apple, e mais recentemente Larry Page e Sergey Brin (ambos 1973-) do Google e Mark Zuckerberg (1983-) do Facebook (MARIANO; MAYER, 2011).

 

 

 

 

 

 

Outro fenômeno ainda mais recente é a criação das startups, pequenas empresas de tecnologia que buscam desenvolver produtos e serviços escaláveis, que tem atraindo ainda mais pessoas para o empreendedorismo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

Filion (1999) considera o empreendedorismo como um passo em direção à conquista da liberdade. Se antes era expresso na criação (ou no intraempreendedorismo) de grandes corporações, hoje se observa a força empreendedora nos pequenos negócios. Com isso, a partir da década de 90, um número cada vez maior de pessoas tem escolhido o autoemprego.

As discussões sobre o empreendedorismo e sua definição seguem nos dias de hoje, e Chiavenato (2012) procura resumir as contribuições dos diversos autores da área sobre o tema

 

 

Na busca de uma definição final para o empreendedorismo, RAE (2007) considera que os conceitos tradicionais de empreendedor incluem: uma pessoa que cria organizações e uma pessoa que conhece e age para explorar uma oportunidade, porém não incluem a criatividade, as mudanças e as incertezas envolvidas na atividade do empreendedor. As teorias processuais ou dinâmicas assumem que a incerteza existe e dão ao empreendedor a chance de criar e explorar as oportunidades de inovação e lucro.

A concepção dinâmica do papel do empreendedor é de um agente que cria, reconhece e age nas oportunidades. Isso inclui o uso da inovação para fazer coisas novas, operar com flexibilidade e se adaptar a um contexto mais amplo, trabalhar em condições de risco e incerteza, realizar mudanças e ganhar a recompensa a partir dos lucros. Se o empreendedorismo é visto como um processo, ele consiste de uma pessoa, da busca por oportunidades de mercado, comportamento inovador e da junção dos recursos necessários para explorar essas oportunidades (RAE, 2007).

Filion (1999) constrói uma definição completa do que é o empreendedor a partir da contribuição dos mais diversos autores das diferentes épocas, chegando ao seguinte resultado:

o Empreendedor é uma pessoa criativa marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos que mantém alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-se para detectar oportunidades de negócios. Um empreendedor continua a aprender a respeito de possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões moderadamente arriscadas que objetivam a inovação, continuará a desempenhar um papel empreendedor (FILION, 1999, p. 19).

Dolabela (2006, p. 29), reconhecido como um dos principais professores brasileiros de empreendedorismo, apresenta uma definição bem mais simples: “o empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade”.

Agora que você já sabe a história do empreendedorismo e sua definição, vamos dar uma olhada no histórico do empreendedorismo no Brasil.

 Breve histórico do empreendedorismo no Brasil

Inicialmente, o empreendedorismo no Brasil no período colonial era baseado na agricultura e no extrativismo. Caldeira (2009) demonstra que durante os três primeiros séculos do Brasil colônia havia um forte mercado interno, independente de Portugal, bastante dinâmico e em crescimento.

Provavelmente o primeiro grande empreendedor brasileiro seja Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), mais conhecido com Barão de Mauá. Após observar o impacto da Revolução Industrial na Inglaterra, ele retornou ao Brasil decidido a investir na industrialização do país. Barão de Mauá investiu em negócios diversos, tendo construído a primeira ferrovia brasileira, a primeira fundição de ferro e o primeiro estaleiro, além de ter sido banqueiro. Em seu auge, teve sob seu controle 8 das 10 maiores empresas brasileiras na época (LOH, 2016).

No final do século XIX, tem início o período industrial, que abre espaço para muitos empreendedores, imigrantes ou nacionais, que têm a oportunidade de atingir um novo status na sociedade. O empreendedorismo brasileiro é marcado pela criação e crescimento de empresas originadas em grupos familiares, como a família Matarazzo, das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

 

Dicas de Empreendedores Brasileiros :

A série Os Gigantes do Brasil (MELLO, 2016) narra a saga de 4 grandes empreendedores brasileiros que mudaram o país no final do século XIX e início do XX, principalmente no urbanismo e na industrialização. São eles: Francisco Matarazzo (1854-1937), Guilherme Guinle (1882-1960), Giuseppe Martinelli (1870-1946) e Percival Farquhar (1864-1953).

 

Outros grupos familiares se destacaram ao longo dos anos, como é o caso da Família Klabin-Lafer, na indústria de papel, de José Ermírio de Moraes (1900-1973), criador do grupo Votorantim, e de Roberto P. Marinho (1904-2003), das Organizações Globo (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).  Um dos brasileiros que se destacaram por seu espírito empreendedor é o apresentador Silvio Santos (1930-), dono do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), que começou como ambulante. O Grupo Silvio Santos é formado por mais de 30 empresas, nos mais diversos ramos, e seu fundador segue empreendendo, e com mais de 70 anos de idade, entrou recentemente para o mercado de cosméticos com a empresa Jequiti. (MANDUCA; CANDIDO; PATRÍCIO, 2016).

O homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann (1939), juntamente com seus sócios, Carlos Alberto Sicupira (1948-) e Marcel Herrmann Telles (1950-), talvez sejam hoje os empreendedores brasileiros de maior sucesso internacional. São os donos da maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Busch InBev, além do Burger King, da Kraft Heinz (conhecida por seu ketchup), das Lojas Americanas e da B2W do ramo de e-commerce (GRADILONE, 2017).

Mesmo com esse histórico de empreendedores brasileiros de sucesso, Dornelas (2017) afirma que somente na década de 1990 o movimento do empreendedorismo começou a ganhar forma, com o lançamento do Empretec pelo SEBRAE e a criação da Sociedade Brasileira para Exportação de Software (Softex).

Fernandes (2013) pontua que o ensino do empreendedorismo no Brasil começou apenas em 1981, num curso de especialização da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, e que em 1989 foi lançado o primeiro livro no Brasil em língua portuguesa sobre empreendedorismo.

O SEBRAE teve origem em 1972, sobre a alcunha de CEBRAE (Centro Brasileiro de Apoio Gerencial às Pequenas e Médias Empresas), tendo passado por uma reformulação em 1990, quando recebeu a denominação atual, se transformando num serviço social autônomo e passou a fazer parte do chamado sistema S, juntamente com SENAC, SESI e SENAI (MELO, 2008).

A missão do SEBRAE é “(…) promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas (MPE) e fomentar o empreendedorismo no Brasil” (MARIANO; MAYER, 2011, p. 81). Este é um dos órgãos do governo mais conhecido do empreendedor brasileiro, que encontra o apoio para iniciar sua empresa, além de consultorias e treinamentos para desenvolvimento do empreendedor e da empresa, nos mais diversos aspectos de gestão da empresa, como o controle financeiro, marketing, gestão de pessoas, vendas, entre outros (DORNELAS, 2017).

A Softex foi criada para apoiar o desenvolvimento das empresas de software do país com foco no mercado externo, com ações de capacitação para o empresário de informática em gestão e tecnologia. Para Dornelas (2017), a história da Softex e do empreendedorismo no Brasil na década de 1990 seguem juntas. Foram os programas que esta instituição desenvolveu junto a incubadoras de empresas e universidades em todo país que despertou o interesse pelo tema empreendedorismo. A empresa foi reformulada, mas continua apoiando o empreendedorismo relacionado à tecnologia de informação e às startups.

Dica de Leitura :
O livro “O Segredo de Luísa” (DOLABELA, 2006) conta a história de uma empreendedora fictícia em sua saga para abrir e gerenciar uma empresa no interior de Minas Gerais. O livro lançado em 1999, do professor Fernando Dolabela, é um dos mais utilizados para o ensino do empreendedorismo, fornecendo uma metodologia para o aprendizado adequado do tema para qualquer pessoa.

O Empretec, um acrônimo de empreendedores e tecnologia, é o principal treinamento de empreendedorismo do SEBRAE e foi lançado em 1993. É uma metodologia de ensino de empreendedorismo da ONU (Organização das Nações Unidas), sendo promovido em cerca de 40 países. O treinamento tem como foco a capacitação na identificação de novas oportunidades de negócio e no desenvolvimento das características comportamentais do empreendedor, utilizando uma metodologia vivencial (MELO, 2008; MARIANO; MEYER, 2011). Percebe-se que apesar do desenvolvimento tardio de programas de educação empreendedora no país, hoje o Brasil tem o potencial para desenvolver o ensino de empreendedorismo, num tamanho e abrangência comparável apenas aos Estados Unidos (DORNELAS, 2017).

Nesse breve histórico de alguns importantes empreendedores brasileiros é possível perceber a importância do empreendedor para o crescimento do país. A seguir, vamos examinar a relação entre o desenvolvimento econômico e o empreendedorismo.

Perspectiva econômica

Baron e Shane (2007) são categóricos ao afirmarem que o empreendedorismo é um motor para o desenvolvimento econômico. Eles se baseiam em uma série de dados estatísticos dos Estados Unidos, que mostram o impacto do empreendedorismo nas economias da sociedade, como por exemplo:

  • elevado corte de vagas de emprego nas grandes corporações americanas e, mesmo assim, queda na taxa de desemprego;
  • a cada ano mais de 600 mil empresas são abertas e este número duplicou nos últimos 20 anos;
  • uma em cada oito pessoas trabalham por conta própria nos EUA;
  • crescimento no número de cursos de empreendedorismo no país.

Dolabela (2006) concorda que o empreendedor é o motor da economia, com sua percepção de novas oportunidades e sua característica de agente de mudança contribui para o desenvolvimento econômico e para a inovação.

Esse fato já era percebido desde os tempos de Schumpeter, que em seu livro “Teoria do Desenvolvimento Econômico”, de 1911, argumentou a força motriz do crescimento econômico como sendo o empreendedor, que introduz inovações no mercado que tornam os produtos e tecnologias existentes obsoletos, característica do processo de destruição criativa (BARROS; PEREIRA, 2008).

Essa percepção quanto à importância do empreendedorismo não encontra eco na Teoria Econômica Neoclássica, que considera a acumulação do capital físico (equipamentos, máquinas etc) e humano, progresso tecnológico e expansão de mercados como sendo os principais determinantes do crescimento econômico (BARROS; PEREIRA, 2008).

Fontanele (2010) considera que essa ausência do empreendedor do paradigma neoclássico se deve às dificuldades teóricas, o que resulta em lacunas no entendimento dos mecanismos básicos de funcionamento da economia.

Voltando a Barros e Pereira (2008), os autores apresentam outra teoria que procura explicar o papel do empreendedor no crescimento econômico, a Teoria do Empreendedorismo pelo Transbordamento do Conhecimento. Ela pressupõe que quando uma nova ideia ou novo conhecimento, criados nos centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de grandes empresas ou de universidades, não são aproveitadas pela instituição que a criou, elas podem resultar em oportunidades para o empreendedor.

A partir dessa teoria, uma pesquisa empírica conduzida na Alemanha procurou testar uma hipótese de crescimento econômico: uma maior atividade empreendedora deve gerar níveis mais altos de crescimento econômico, já que o empreendedorismo é este mecanismo de transbordamento e comercialização de conhecimento. O resultado confirmou a hipótese, pois nas regiões onde havia mais empreendedorismo tanto o Produto Interno Bruto (PIB) quanto a sua variação eram maiores. O empreendedorismo é, portanto, um elemento importante para explicar o desempenho econômico regional (BARROS; PEREIRA, 2008).  Sendo assim, vamos avançar nosso estudo e conhecer as consequências do empreendedorismo sob o ponto de vista da economia.

Impactos e resultados do empreendedorismo 

As transformações ocorridas com o lançamento de novos produtos no mercado, com as mudanças tecnológicas e nos processos produtivos são formas que avaliar a contribuição do empreendedor para o crescimento econômico. As iniciativas empreendedoras têm como impactos o aumento da eficiência, que resulta num aumento na concorrência, além de alterações no comportamento do consumidor. A descoberta de novos produtos é potencializada e acelerada por uma cultura empreendedora, sendo que sua disseminação tem um importante papel no processo de aprendizagem (FONTENELE, 2010).

Quanto mais ocorrem entradas de novos competidores, mais inovação é gerada e há aumento da produtividade, resultados da inovação em si e também das ações das empresas para impedir a entrada de novos concorrentes. Barros e Pereira (2008) apresentam o estudo de Aghion e Howitt que conclui que este efeito de entrada de novos concorrentes é mais positivo e significativo em países mais desenvolvidos em termos de tecnologia. Pode-se entender que os novos negócios são introduzidos nos mercados pelos empreendedores a partir de uma inovação, seja ela um novo produto ou serviço, uma nova qualidade de produto ou serviço, uma nova forma de produção, a abertura de um mercado novo, uma fonte nova de matéria-prima ou uma nova forma de organização. A criação de um novo negócio, com ou sem inovação, aumenta a concorrência e tem o potencial de provocar a saída de empresas do mercado, ou uma reação das empresas estabelecidas seja com outra inovação ou por fusões e aquisições (BARROS; PEREIRA, 2008). Esse processo tem como resultado uma nova estrutura de mercado mais eficiente e com maior dinamismo econômico. Isso se traduz nos indicadores de valor adicionado, como o PIB e de níveis de emprego.

 

 

Fica claro que a capacidade empreendedora de uma nação tem relação com o seu desenvolvimento econômico e por isso, nada mais natural que haja um grande interesse em se medir o quão empreendedor é um país. Nesse sentido, foi criada em 1999 o projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM), ou Pesquisa Global sobre Empreendedorismo (MARIANO; MAYER, 2011).

 

Leia também :

 

O relatório de pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2017) foi criado por duas instituições que estudam o tema empreendedorismo: a Babson College, de Boston, EUA, e a London Business School, de Londres, Inglaterra. Realizado anualmente é uma referência mundial nos estudos de empreendedorismo. Você pode acessar a versão de 2016, disponível em: <http://www.bis.sebrae.com.br/bis/download.zhtml?t=D&uid=941a51dd04d5e55430088db11a262802>.

 

Na pesquisa realizada em 2016, participaram 65 países, dos cinco continentes, o que representa 70% da população mundial e 83% do PIB. O Brasil participa do desde o ano 2000, sendo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ) em parceria com o SEBRAE. .

Conduzida por meio de uma amostragem estatística da população, a pesquisa tem como objetivo: “identificar as atitudes da população em relação à atividade empreendedora, as taxas de empreendedorismo, as motivações e as características dos empreendedores e de seus empreendimentos, além das condições para empreender” (GEM, 2017, p. 17).

Nesse ponto, é importante conhecer a definição de empreendedorismo adotado pelo GEM, como sendo:

qualquer tentativa de criação e desenvolvimento de novos negócios ou criação de novas empresas, como o trabalho por conta própria, uma nova organização empresarial, ou a expansão de uma empresa já existente, por um indivíduo, uma equipe de pessoas, ou um negócio estabelecido” (GEM, 2017, p. 17).

Observe que a definição adotada, apesar de bastante ampla, não vincula o empreendedorismo à inovação, algo que foi bastante destacado ao longo deste capítulo, sendo o simples fato de se criar um empreendimento ser suficiente para caracterizar o empreendedorismo. Além disso, como inclui a expansão de uma empresa já existente, esta definição também engloba o intraempreendedorismo.

Com o estudo anual do GEM ficou claro que a criação de empresas por si só não resulta num maior desenvolvimento econômico, pois isso só ocorre se os  novos negócios foquem em oportunidades de mercado. Por conta disso, faz-se necessário duas novas classificações de empreendedorismo trazidas por Dornelas (2017):

  • Empreendedorismo de Oportunidade: a empresa é criada com um planejamento prévio, em que o empreendedor tem claro aonde quer chegar, visando sempre à geração de lucros, empregos e riqueza.
  • Empreendedorismo de Necessidade: os negócios são geralmente criados informalmente, por falta de opção do empreendedor por estar desempregado e não encontrar trabalho.

O empreendedorismo de oportunidade está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico e é muito mais presente em países desenvolvidos. Já o de necessidade, normalmente fracassa e agrava os índices de mortalidade de negócios, sem gerar desenvolvimento econômico, sendo mais comum em países em desenvolvimento (DORNELAS, 2017).

 

Caso :

Com o objetivo de se verificar se o empreendedorismo realmente afeta positivamente o desenvolvimento econômico de uma região, foi desenvolvida uma pesquisa em Minas Gerais, que procurava investigar a relação entre a taxa de desemprego e o empreendedorismo em cada região do estado. Para cada um dos 853 municípios do estado foram avaliados:

– Taxa de Desemprego (TDE): a proporção de desocupados em relação à população economicamente ativa, com base no censo demográfico do IBGE.

– Taxa de Empreendedorismo (TE): a proporção dos trabalhadores por conta própria em relação à população economicamente ativa, utilizando a mesma base de dados.

O resultado mostrou que nos municípios com maior taxa de empreendedorismo, a taxa de desemprego era menor. Porém um TE maior não resulta em um aumento no PIB, indicador de melhor desempenho econômico. Provavelmente, a maior quantidade de pessoas trabalhando por conta própria deve ser em atividades alternativas ao desemprego, com baixa produtividade e renda, o que realmente não se reflete em crescimento econômico. Esse resultado mostra a importância de políticas públicas que favoreçam o empreendedorismo que gere emprego e renda, e não aquele que existe como alternativa ao desemprego. Tais políticas terão impactos positivos tanto sociais quanto econômicas (BARROS; PEREIRA, 2008).

 

Em 2016, o empreendedorismo de oportunidade foi de 57% (por necessidade 43%) do total de negócios na fase de empreendedorismo inicial, um dos menores índices entre os países pesquisados. Chama a atenção o fato que em 2014 a taxa de empreendedorismo por oportunidade chegou a um ápice histórico de 71%. A queda nos últimos anos deve-se à crise econômica no país (GEM, 2017).  Esse resultado corrobora o de outras pesquisas que indicam que em países ricos a atividade empreendedora é associada a uma maior taxa de crescimento econômico, e em países pobres, ou em desenvolvimento, incluso na lista o Brasil, esta relação é inversa. Ou seja, o empreendedor por necessidade tem pouca contribuição sobre o dinamismo da economia local (BARROS; PEREIRA, 2008)..

Para alterar esse quadro e tornar o empreendedorismo uma mola propulsora do desenvolvimento econômico no Brasil é importante entender os fatores que influenciam o desenvolvimento do empreendedor, como vamos abordar a seguir.

Fatores positivos e negativos para o desenvolvimento do empreendedor

O relatório GEM, além de medir a atividade empreendedora, auxilia na identificação dos fatores responsáveis pelas diferenças no nível de empreendedorismo entres os países, o que pode facilitar a identificação das políticas públicas que podem ser eficazes para o desenvolvimento de novos negócios (DORNELAS, 2017).

O empreendedorismo é um fenômeno complexo condicionado a fatores culturais, mas que também é influenciado por questões políticas e econômicas, sendo resultado dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Em países desenvolvidos, com economia estável, os empreendedores agem de forma diferente daqueles num país pobres e com população carente. O fato é que o empreendedor é influenciado diretamente pelo meio onde vive, sendo um fenômeno cultural (DOLABELA, 2006).

 

Você Sabia ?

A taxa de empreendedores nascentes ou novos tem crescido desde 2012, mesmo num cenário econômico adverso, marcado pela queda do PIB e recessão. Este crescimento pode ser explicado por fatores sociais, como o aumento do nível de escolaridade da população, pela política governamental, com a criação do MEI (Micro Empreendedor Individual), e por mudança na cultura, com o brasileiro a cada dia mais propenso a empreender (GEM, 2017).

 

A pesquisa do GEM avalia o contexto social, cultural e político para tentar explica as diferenças na taxa de empreendedorismo entre os países, com o seguinte modelo (GEM, 2017):

  • Requisitos Básicos: Instituições; Infraestrutura; Estabilidade macroeconômica; e Saúde e educação fundamental;
  • Catalisadores de Eficiência: Educação superior e capacitação; Mercado de bens de serviço; Mercado de trabalho; Mercado financeiro; Prontidão tecnológica; e Tamanho do mercado;
  • Inovação e Empreendedorismo: Apoio financeiro; Políticas governamentais; Programas governamentais; Educação e capacitação; Infraestrutura comercial e profissional; Acesso ao mercado; Acesso à infraestrutura física; e Normas culturais e sociais.

Assim, é preciso ter condições favoráveis para empreender, seja em relação ao âmbito pessoal, seja a partir das políticas públicas de incentivo.  Assim, vamos abordar essas condições no item a seguir.

Condições para empreender

Para Fontenele (2010), a criação de empresas nos diferentes países é influenciada pelo apoio do governo ao empreendedorismo, por incentivos de leis e instituições, pela disponibilidade de facilidades para gestação de novas empresas, infraestrutura e cursos de formação e pelo apoio ao crescimento e sobrevivência das startups.

A educação para o empreendedorismo é fundamental para o desenvolvimento de uma cultura empreendedora, sendo que muitos lugares, como no Reino Unido, falharam em criar tal cultura, apesar do forte discurso político destacando a importância do empreendedorismo. As políticas geralmente estão relacionadas com incentivo financeiro de curto prazo, que é relativamente fácil de ser feito, ao invés de estarem relacionadas com mudanças culturais de longo prazo, que são mais difíceis. Tais políticas não são desenvolvidas a partir do diálogo com os empreendedores, e apesar das mensagens encorajadoras do governo, os empreendedores encontram dificuldades práticas para acessar os recursos, o apoio e as oportunidades necessárias para começar e administrar seus negócios (RAE, 2007).

Ainda segundo RAE (2007), há quatro fatores que devem ser considerados com relação ao papel do empreendimento na sociedade:

 

1)         Os objetivos políticos devem ser claramente entendidos no contexto nacional, para cada objetivo (reduzir a pobreza, criar empregos, reduzir as atividades estatais, por exemplo) são necessárias estratégias e diretrizes em ambientes diferentes.

2)         A natureza do empreendimento e do empreendedorismo deve ser considerada, como o modelo americano de “livre” economia de mercado; subsídios agrícolas; economia comunitária; negócios familiares etc.

3)         Quão inclusiva ou exclusiva será a abordagem, como o incentivo à formalidade. Para muitos países, a economia informal é substancial e importante. Problemas relacionados ao racismo ou preconceitos.

4)         Qual o papel do governo em criar e implementar políticas para empreender. A maioria dos governantes e ministros não possui experiência de empreendedorismo. Muitos argumentam que a melhor contribuição que o governo pode dar para a criação de uma cultura de empreendedorismo é não interferir.

 

A mentalidade empreendedora é um dos fatores que influenciam o surgimento de uma cultura empreendedora e a criação de novos negócios. Esse conceito está associado à avaliação da pessoa quanto ao ambiente em que está inserida e as condições que influenciam sua decisão de empreender, com os seguintes resultados (GEM, 2017):

  • Convivência com empreendedores: está relacionado com conhecer pessoalmente alguém que começou um negócio nos últimos 2 anos, como é o caso de 41,3% da população brasileira. Sendo o segundo maior índice entre os BRICS (conjunto de países formados por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul);
  • Oportunidades de novos negócios: o Brasil é um dos países que mais acredita na existência de boas oportunidades de negócio em curto prazo;
  • Conhecimento, habilidade e experiência para gerenciar um novo negócio: Brasil e Estados Unidos são os países cuja população se sente mais preparada para empreender;
  • Medo de fracassar: não é um impeditivo para abrir um novo negócio, como afirmam 57,6% da população do Brasil;

Com relação às condições para empreender no Brasil, relacionados aos aspectos econômicos, sociais, culturais e institucionais, a pesquisa GEM de 2016 identifica como os cinco principais fatores favoráveis e limitantes ao empreendedorismo, conforme mostra a a figura a seguir. Chama atenção a presença dos programas governamentais tanto como fator favorável quanto como fator limitante, porém o percentual de entrevistados que considerou como limitante (77%) é amplamente superior aos que considera favorável (25%) (GEM, 2017).

 

Outro aspecto curioso, é que a corrupção é considerada um fator limitante para apenas 2% dos entrevistados mesmo no atual cenário brasileiro, em que os escândalos de corrupção fazem parte do noticiário diário.

A importância das políticas públicas de apoio ao empreendedorismo e às micro e pequenas empresas são reforçadas pelas pesquisas sobre o empreendedorismo no Brasil. Mostram também que é necessário reduzir a carga tributária e a taxa de juros, e também melhorar o ambiente de negócios e reduzir da burocracia. Tais ações podem ter impactos sociais significantes ainda mais numa economia de elevada taxa de desemprego. Iniciativas como a criação de incubadoras de empresas e o estimulo às cooperativas são favoráveis à criação de oportunidades de trabalho (BARROS; PEREIRA, 2008).

Na opinião de Dornelas (2017), ainda faltam políticas públicas duradouras para consolidação do empreendedorismo no país, mesmo com os avanços recentes nas políticas do Governo Federal de apoio ao empreendedorismo.

Espera-se que o governo atue de forma efetiva para melhorar o ambiente para o empreendedorismo no país e que cada vez mais pessoas estejam dispostas a empreender com foco em oportunidades (e não por necessidade) para que o Brasil tenha um maior desenvolvimento econômico e social.

Síntese

Chegamos ao fim deste capítulo, e você pode conhecer o que é empreendedorismo e a suas definições, entendeu como este conceito evoluiu ao longo dos anos e descobriu a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico dos países e os fatores que facilitam ou dificultam a ação empreendedora.

Neste capítulo, você teve a oportunidade de:

  • aprender sobre quem é o empreendedor;
  • compreender o conceito de empreendedorismo;
  • conhecer um pouco da história de importantes empreendedores do Brasil e do mundo;
  • relacionar o desenvolvimento econômico com o empreendedorismo;
  • identificar as condições culturais e estruturais para o desenvolvimento do empreendedorismo.

Bibliografia

BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Cengage Learning, 2007.

BARROS, A. A. D.; PEREIRA, C. M. M. D. A. Empreendedorismo e Crescimento Econômico: uma Análise Empírica. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 12, n. 4, p. 975-993, dez. 2008.

CALDEIRA, J. História do Brasil com empreendedores. São Paulo: Mameluco, 2009.

CHIAVENATO, I. Empreendedorismo dando asas ao espírito empreendedor. 4. ed. Barueri: Manole, 2012.

DOLABELA, F. O segredo de Luísa. 30. ed. São Paulo: Editora de Cultura, 2006.

DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. São Paulo: Empreende/Atlas, 2017.

FERNANDES, R. J. R. Breve histórico do ensino de empreendedorismo no Brasil. Revista GV novos negócios, São Paulo, v. 5, p. 36-39, mai. 2013.

FILION, L. J. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios. Revista de Administração da Universidade de São Paulo (RAUSP), São Paulo, v. 34, n. 2, p. 05-28, abr. / jun. 1999. Disponível em: <http://200.232.30.99/busca/artigo.asp?num_artigo=102>. Acesso em: 05/04/2018.

FONTENELE, R. E. S. Empreendedorismo, Competitividade e Crescimento Econômico: Evidências Empíricas. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 14, n. 6, p. 1094-1112, nov/dez 2010.

GEM – Global Entrepreneurship Monitor. Empreendedorismo no Brasil – 2016. Coordenação de Simara Maria de Souza Silveira Greco; diversos autores – Curitiba: IBQP, 2017. 208 p.: il. Disponível em: <http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/941a51dd04d5e55430088db11a262802/$File/7592.pdf>. Acesso em: 05/04/2018.

GRADILONE, C. Jorge Paulo Lemann. Isto é Dinheiro, São Paulo, 20 out. 2017, Negócios. Disponível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/jorge-paulo-lemann/>. Acesso em: 23/03/2018.

HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.

LAUREATE. Conceito de Empreendimento. Baltimore: LAUREATE INTERNATIONAL UNIVERSITIES PUBLISHING, 2013.

LEITE, E. O Fenômeno do Empreendedorismo. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

LOH, S. A História da Inovação e do Empreendedorismo no Brasil – e comparações com outros. Porto Alegre, 2016.

MANDUCA, A.; CANDIDO, C. R.; PATRÍCIO, P. Empreendedorismo: uma perspectiva multidisciplinar. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.

MARIANO, S.; MAYER, V. F. Empreendedorismo – Fundamentos e Técnicas para Criatividade. Rio de Janeiro: LTC, 2011.

MELO, N. M. E. SEBRAE e empreendedorismo: origem e desenvolvimento. 2008. 156f.  Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2008. Disponível em: <https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/1476/2043.pdf?sequence=1>. Acesso em: 05/04/2018.

MELLO, T. Gigantes do Brasil. Direção: Fernando Honesko. Produção: Boutique Filmes, History Channel, Brasil, 2016.

RAE, D. Entrepreneurship from Opportunity to Action. 1. ed. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2007.

Fonte : Ead laureate

 

Veja mais em :

 

Leave a comment